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Notícia30/07/26
Escassez de motoristas profissionais indica déficit de 120 mil vagas

A falta de motoristas profissionais segue como um dos principais gargalos da logística brasileira. Levantamento divulgado pelo Infojobs, em referência ao Dia do Motorista (25 de julho), identificou 4.966 vagas abertas para a função em todo o país, com salário médio nacional de R$ 2.850 mensais. O número, porém, está muito aquém da demanda real: entidades do setor estimam um déficit superior a 120 mil profissionais no Brasil.
O problema ocorre em um setor estratégico, responsável por aproximadamente 65% de toda a carga movimentada no país e por mais de R$ 1 trilhão em mercadorias transportadas anualmente, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). A escassez de mão de obra já impacta a disponibilidade de veículos, os custos operacionais e a eficiência de toda a cadeia logística.
Fatores que agravam a crise
A dificuldade de contratação não decorre da falta de vagas, mas da redução da oferta de profissionais qualificados. Especialistas apontam uma combinação de fatores: envelhecimento da categoria, baixa entrada de jovens na profissão, custos elevados para obtenção e mudança de categoria da CNH, despesas com cursos obrigatórios, longas jornadas que dificultam a conciliação com a vida familiar e problemas de segurança nas rodovias.
Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) dimensionam a transformação: na última década, o número de motoristas habilitados nas categorias profissionais caiu de aproximadamente 5,6 milhões para 4,4 milhões, enquanto a idade média dos condutores aumentou e a participação de jovens diminuiu.
Concentração de vagas e salários
São Paulo concentra o maior volume de oportunidades, com 913 vagas abertas, reflexo do peso do estado na movimentação de cargas e passageiros. Na região Sul, o Paraná tem 390 vagas, o Rio Grande do Sul, 343, e Santa Catarina, 317.
Em remuneração, Santa Catarina apresenta o maior salário médio entre os três estados do Sul: R$ 3 mil mensais. No Paraná, a média é de R$ 2.850, enquanto no Rio Grande do Sul chega a R$ 2.736. O valor médio nacional de R$ 2.850, porém, engloba diferentes perfis de contratação e modalidades de transporte — na prática, a remuneração varia conforme o segmento de atuação, o tipo de veículo, a região e a composição entre salário fixo, diárias, comissões e benefícios.
Iniciativas para reverter o cenário
A preocupação com o cenário levou o SEST Senat a lançar, em 2026, o programa Mais Motoristas, voltado à ampliação do número de profissionais habilitados por meio do custeio da mudança de categoria da CNH e da capacitação para o exercício da profissão. A iniciativa busca reduzir uma das principais barreiras de entrada na carreira: o elevado custo para obtenção das habilitações C, D e E e das certificações exigidas para o transporte profissional.
Para especialistas, o problema tende a ganhar importância nos próximos anos, à medida que aumenta a demanda por serviços logísticos impulsionada pelo comércio eletrônico, pelo agronegócio e pela recuperação da atividade econômica. Nesse cenário, atrair, formar e reter motoristas passou a ser uma prioridade estratégica para transportadoras, operadores logísticos e empresas de transporte coletivo.
O Setracajo acompanha o tema e incentiva as empresas associadas a participarem de programas de qualificação e a adotarem práticas que valorizem a categoria, contribuindo para a atração e retenção de novos profissionais.
Fonte: Transporte Moderno