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Notícia18/02/26
Fetrancesc alerta para riscos da redução da jornada 6×1 no Transporte Rodoviário de Cargas

A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (FETRANCESC) manifesta extrema preocupação com a proposta de redução da jornada de trabalho do regime 6×1 (44 horas semanais) para 5×2 (40 horas semanais), diante dos impactos diretos sobre o Transporte Rodoviário de Cargas e a economia.
A alteração representa redução de 9% na disponibilidade de horas por trabalhador, com queda de 220 para 200 horas mensais. Mantida a remuneração, há elevação automática do custo por hora, pressionando a estrutura de custos das empresas, já afetadas por alta carga tributária, crédito restrito, juros elevados e infraestrutura deficiente. O cenário tende a estimular a informalidade e reduzir investimentos.
No Transporte Rodoviário de Cargas, os efeitos são alarmantes. A medida afeta a cadeia logística, colocando em risco o abastecimento de indústrias, postos de combustíveis, farmácias, hospitais e supermercados, entre outros. Além disso, o setor já opera sob rígidas regras da Lei do Motorista (Lei nº 13.103/2015), o que inviabiliza a simples redistribuição de jornadas. Simulações indicam aumento de cerca de 10% no custo por hora do motorista e necessidade de ampliação aproximada de 18% da folha para manter o nível operacional, elevando o custo do frete.
Considerando que o transporte rodoviário responde por mais de 65% da movimentação de cargas no país, qualquer aumento relevante de custo repercute diretamente nos preços ao consumidor. O cenário é agravado pela escassez estrutural de mão de obra, com a perda de cerca de 1 milhão de motoristas profissionais na última década, envelhecimento da força de trabalho e baixa reposição.
Para o presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider, a proposta desconsidera a realidade do setor:
“O transporte rodoviário é uma atividade essencial e altamente regulada. Reduzir a jornada sem considerar o impacto operacional e a falta de mão de obra coloca em risco o abastecimento, eleva custos e penaliza toda a sociedade”.
A Fetrancesc reforça que o debate sobre condições de trabalho é legítimo, mas defende que mudanças estruturais dessa magnitude sejam precedidas de estudos técnicos, análise setorial e diálogo com o setor produtivo, a fim de evitar impactos negativos ao emprego formal, à logística e à competitividade do país.
Fetrancesc